O Brasil possui uma rica história e cultura marítima que reflete séculos de navegação, comércio e tradições costeiras. Museus como o Museu Naval e projetos futuros como o Museu Marítimo do Brasil (MuMa) preservam embarcações históricas, maquetes e documentos que contam a trajetória da Marinha e da vida no mar. Instituições como a DPHDM organizam acervos, exposições e publicações, enquanto eventos culturais e festivais náuticos aproximam o público dessa herança, mantendo viva a memória e a cultura naval brasileira.
O Brasil, com sua vasta costa atlântica e uma longa tradição navegacional, possui uma cultura marítima rica e multifacetada. Desde embarcações coloniais até exposições contemporâneas, o país preserva sua identidade marítima em museus, arquivos e eventos que conectam passado, presente e futuros oceanos. Este texto explora essa herança através da atuação de instituições como a Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM), de espaços culturais e de iniciativas que mantêm viva a memória náutica brasileira.
A DPHDM — Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha — é um órgão fundamental para a preservação da cultura e memória marítima brasileira. Sua missão inclui preservar o patrimônio histórico e cultural da Marinha, promovendo a consciência marítima na sociedade.
A trajetória da DPHDM remonta à Biblioteca da Marinha, criada em 1846. Em 1943, surgia o Serviço de Documentação da Marinha (SDM), mais tarde rebatizado em 2008 para DPHDM, atual nomenclatura.
A DPHDM cumpre uma missão ampla, que inclui promover estudos históricos, administrar bibliotecas, arquivos, museus e navios-museus, além de gerenciar acervos documentais e iconográficos. Também atua em intercâmbios culturais, digitalização de acervos e produção acadêmica, como a Revista Navigator e livros como Arte Naval.
Instalado na Orla Conde, no Centro do Rio de Janeiro, o Espaço Cultural da Marinha ocupa as antigas docas da Alfândega desde 1996, com cerca de 1.100 m² de área expositiva. O espaço exibe atrativos como a réplica da Nau dos Descobrimentos, o submarino Riachuelo, contratorpedeiro Bauru, rebocador Laurindo Pitta, a galeota D. João VI, entre outros.
Além disso, serve como ponto de embarque para visitas à Ilha Fiscal, palco do histórico “Baile da Ilha Fiscal”, e passeios pela Baía de Guanabara.
A DPHDM administra também o Museu Naval, o Arquivo da Marinha e a Biblioteca da Marinha — centros essenciais para a pesquisa histórica naval.
O Arquivo da Marinha conserva documentos desde o século XVIII: publicações oficiais, fotografias, filmes, rótulos e registros diversos.
A Biblioteca da Marinha, uma das mais antigas do país, originada de um acervo transferido de Portugal, reúne mapas, obras raras de navegação e tratados clássicos como os de Pedro de Medina e Martín Cortés de Albacar.
Ainda em construção, o MuMa — Museu Marítimo do Brasil — promete ser o primeiro museu nacional dedicado à experiência marítima brasileira, instalado sobre um píer do século XIX no Centro do Rio.Previsto para inaugurar em 2028, o MuMa reunirá acervos históricos da Marinha, além de coleções científicas, tecnológicas, artísticas e paisagens marinhas, com enfoque na biodiversidade e na sustentabilidade, alinhado à Agenda 2030 da ONU. A proposta visual inclui um bar com vista panorâmica e itinerários expositivos inovadores.
A DPHDM promove exposições permanentes e temporárias como: “Ilha Fiscal: um neogótico em terras tropicais”, “Águas do Brasil” e “A Marinha e os 200 anos da Independência”.
No Mês da Marinha (junho), acontecem diversas programações no Rio de Janeiro, como shows da Banda dos Fuzileiros Navais, atividades recreativas e embarcações abertas à visitação na Praça Mauá, como a fragata União, o patrulha oceânico Apa, o navio Almirante Saboia e o hidroceanográfico Almirante Graça Aranha.
Os eventos do setor náutico, como exposições, fóruns e feiras, fortalecem a cultura marítima e incentivam investimentos e turismo naval.
O Rio Boat Show, maior salão náutico outdoor da América Latina, inaugurou o calendário de feiras em abril (entre 26 de abril e 4 de maio de 2025), com test drives, desfiles, oficinas de vela e mais de 100 embarcações em exibição. Em 2025, estão previstas edições em Itajaí (julho), Brasília (agosto), São Paulo (setembro), Salvador (outubro) e Foz do Iguaçu (novembro), com expectativa de aumento de cerca de 10 % nas vendas de embarcações e forte impacto econômico. Há destaque também à Barco Show Bahia, inaugurando o ano náutico em Salvador.
Uma das tradições técnicas centrais é o clássico Arte Naval, de Maurílio Magalhães Fonseca. Publicado originalmente em 1954, a obra tornou-se referência para a formação náutica, abordando marinharia, termos técnicos, fainas e tradições de bordo. Em junho de 2019, a DPHDM lançou a 8ª edição em comemoração ao seu aniversário.
Esses estudos técnicos, somados aos acervos bibliográficos e cartográficos, reforçam o vínculo entre tradição, educação militar e cultura popular náutica.
A atuação da DPHDM vai além de preservação: ela educa, conscientiza e integra a cultura marítima ao cotidiano. Seja através de visitas escolares, projetos educativos, publicações, museus ou eventos, seu impacto reforça a consciência marítima como parte da identidade nacional.
O conjunto museológico (Memória Naval), combinado ao futuro MuMa, expande a experiência do visitante, conectando história, arte, ciência e natureza em torno do oceano que banha o país.
A cultura marítima brasileira encontra espaço na história preservada, em museus concretos e em projetos futuros, nas feiras que vibram nos portos do país e nas tradições técnicas que atravessam gerações. A DPHDM desempenha papel central nessa trajetória, articulando memória, pesquisa, educação e ritual. Com o MuMa, o país avança para uma nova era de visibilidade marítima, enquanto eventos como o Rio Boat Show unem negócios, cultura popular e experiência naval.
Navegar pelo patrimônio marítimo é compreender um lado essencial da história e cultura brasileiras — um universo que se expande, encontra, celebra e preserva sua identidade à sombra dos mastros e sob o sopro dos ventos atlânticos.